3 de maio de 2014

E Rússia avança com União Eurasiana

União Econômica Eurasiática entra na reta final

União Econômica Eurasiática entra na reta final

No dia 29 de abril, em Minsk, os dirigentes da Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão analisaram o andamento da preparação para a assinatura do tratado sobre a criação da União Econômica Eurasiática (UEE), que começará a vigorar a partir de 1 de janeiro de 2015.

Vladimir Putin, Alexander Lukashenko e Nursultan Nazarbaev reconheceram que foram encontrados compromissos sobre as questões fundamentais, restando apenas acordar pormenores. Atualmente, os peritos trabalham intensamente nisso. Em maio, em Astana, capital do Cazaquistão, será assinado um documento que irá dar início, segundo uma expressão de Vladimir Putin, “à mais avançada união na história post-soviética”.
Depois do Espaço Econômico Único e da União Aduaneira, Moscou, Minsk e Astana preparam-se para o lançamento de uma união entre estados com o mais alto nível de integração econômica na história atual da região.
As portas da União Econômica Eurasiática estão abertas também a outros estados que manifestem o desejo de se juntarem a ela. Por exemplo, atualmente, a Armênia está em vias de ingressar na União Aduaneira, o projeto de tratado estará acordado até 1 de junho. Praticamente está terminada a elaboração de um “roteiro” para a adesão da Quirguízia à União Aduaneira. A participação nela abre caminho direto para a UEE. E a lista não se limitará a esses países.
No dia 29 de abril, em Minsk, Putin, Lukashenko e Nazarbaev estiveram reunidos até tarde. Eis como o presidente da Rússia avaliou os resultados do encontro:
“Em geral, o trabalho foi produtivo. Não sem discussões, mas eliminamos praticamente todas as barreiras que existiam rumo à assinatura do tratado. Todas elas eram serias e importantes para nós, mas encontrámos compromissos. Restam alguns pormenores técnicos. Espero que sejam superados dentro em breve”.
As discussões de que Vladimir Putin falou estavam ligadas, nomeadamente, à questão da manutenção ou não das limitações tarifárias e não tarifárias ao fornecimento de mercadorias russas, principalmente de petróleo à Bielorrússia. A matéria-prima é fornecida a esta república segundo quotas e Minsk transfere para Moscou o imposto sobre a exportação de produtos petrolíferos obtidos a partir de petróleo russo. Trata-se de cerca de 4 mil milhões por ano. Alexander Lukashenko insiste na revogação dos pagamentos, alegando que, na União Eurasiática, tudo “deve ser como num estado”.
Por outras palavras, a Bielorrússia pode fazer o que quiser, sem pagar mais nada, com o petróleo adquirido a preços do mercado interno russo. No Ministério das Finanças da Rússia consideram que isso irá custar ao orçamento do país 30 bilhões de dólares por ano. A questão será uma vez mais analisada atentamente, mas, o mais provável, por Moscou e Minsk.
Há ainda mais algumas contradições que devem ser superadas. Nomeadamente, a possibilidade do acesso da vodka do Cazaquistão ao mercado russo, a circulação e mercadorias sem barreiras, a criação de um mercado de trabalho único. Mas estas questões não são questões de princípio. Vladimir Putin propôs “trabalhar melhor isso”.
Dosym Satpaev, politólogo cazaque, assinalou que, atualmente, o Cazaquistão sente falta de ramos produtivos altamente tecnológicos para organizar uma concorrência comercial igual com a Rússia e a Bielorrússia no quadro dos projetos de integração. Mas isso não é motivo para corrigir os planos com vista à criação da União Econômica Eurasiática:
“Ao nível da direção do Cazaquistão, a aposta é feita no processo acelerado de assinatura do tratado. E o último encontro em Minsk mostrou bem que Nazarbaev não tenciona afastar-se dos prazos apontados e espera que o acordo seja assinado em Astana”.
Depois do encontro dos presidentes, Viktor Khristenko, dirigente do colégio da Comissão Econômica Eurasiática, declarou que eles chegaram a acordo sobre a base do tratado de criação da UEE. Nomeadamente, aí assinala-se que, o mais tardar em 2025, começarão a funcionar os mercados comuns de petróleo, de derivados de petróleo e gás e, em 2018, será confirmado o programa de formação desses mercados.
Evgueni Vinokurov, diretor do Centro de Estudos de Integração, considerou produtivo o encontro dos três líderes em Minsk:
"Em geral, os encontros com a participação de Putin, Nazarbaev e Lukashenko são sempre produtivos, porque os presidentes compreendem-se uns aos outros e querem resultados. Esperemos que as questões que restam sejam resolvidas até finais de maio. Trata-se do último encontro ao mais alto nível antes da assinatura do tratado. A integração econômica na nossa região é uma coisa completamente justificada e vantajosa. É preciso desenvolvê-la. Há lógica na formação da União Econômica Eurasiática".
Yuri Shevtsov, diretor do Centro para Problemas da Integração Europeia (Bielorrússia), declarou à Voz da Rússia em que caso a União Econômica Eurasiática será útil para a Bielorrússia:
“Se ela for criada nas condições inicialmente acordadas, ou seja, sem emendas e limitações, a união será claramente vantajosa para a Bielorrússia. Esta tem uma economia aberta, uma grande fatia de exportações e a presença num mercado tão grande como o russo traz, sem dúvida, apenas bem à Bielorrússia”.
O acordo que irá ser assinado em finais de maio em Astana é constituído por 600 páginas e inclui duas partes. Numa delas fala-se do estatuto jurídico internacional e dos seus objetivos, noutra aborda-se os mecanismos de trabalho. Mas o principal não consiste no facto de o documento ser tão volumoso e ter um caráter exaustivo. Ele fixa a integração eurasiática como um dos fatores importantíssimos da atual economia e geopolítica, que não podem ser ignorados. 

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