22 de maio de 2018

Brancos sul africanos refugiando-se na Austrália

Agricultores brancos da África do Sul que reivindicam perseguição em casa buscam refúgio na Austrália

    22 de maio de 2018

    Mais de 200 agricultores da África do Sul solicitaram visto humanitário na Austrália depois de supostamente sofrerem ataques por serem brancos, segundo o Ministério de Assuntos Internos da Austrália.
    "O tipo de critérios que eles têm que cumprir - ou o principal - é evidência de perseguição, então é exatamente para isso que estaremos olhando", disse a vice-secretária de Assuntos Internos, Malisa Golightly. Os Assuntos Internos disseram que 89 pedidos de visto para refugiados relativos a 213 pessoas haviam sido recebidos, embora eles não tenham especificado sua etnia ou quaisquer outros detalhes.
    Notícias surgiram no início deste ano revelando que os agricultores brancos na África do Sul enfrentaram perseguição depois que o governo do país aprovou uma nova lei que permite o confisco de suas terras, que seriam transferidas para cidadãos negros.
    Após os relatos, o ministro australiano de Assuntos Internos, Peter Dutton, anunciou sua disposição de começar a acelerar o rastreamento de vistos humanitários para os sul-africanos que haviam sofrido crimes violentos no campo em casa e desejavam se mudar para Down Under. O passo foi batido pela oposição sul-africana, que chamou a Austrália, e aqueles dispostos a fugir para lá, "racistas".
    A controversa legislação foi endossada pelo presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, que se comprometeu a entregar as terras dos fazendeiros brancos desde 1600 a cidadãos negros do país sem indenização para os proprietários. Os 50 milhões de cidadãos da África do Sul são predominantemente negros, mas 72% das terras agrícolas pertencem aos brancos.
    A legislação provocou forte desaprovação tanto no país como no exterior, com um aumento na violência contra os agricultores brancos. No ano passado, cerca de 82 pessoas foram mortas em um recorde de 423 ataques agrícolas, e houve 109 ataques e mais de 15 assassinatos em 2018, informou em março o Afriforum, um grupo sul-africano de direitos civis.

    A controversa reforma pode colocar em risco a agricultura comercial no país, segundo a União Agrícola Transvaal da África do Sul. Especialistas dizem que o governo sul-africano pode repetir o erro cometido pelo governo do Zimbábue, que passou por uma purgação de fazendeiros brancos sancionada pelo Estado em 1999-2000. A medida mergulhou o país em fome.

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