15 de maio de 2018

O mergulho da moeda turca

Erdogan abusa Israel como uma distração da lira turca em queda livre


O homem forte  turco chamou Israel de um estado terrorista na terça-feira, 15 de maio, o dia em que a lira mergulhou para o seu ponto mais baixo contra o dólar. A lira perdeu 15% de seu valor nos últimos três meses. sua queda recorde na terça-feira foi motivada pela promessa de Erdogan de assumir maior controle da política monetária de seu governo se ele vencer a eleição de 24 de julho, um claro voto de desconfiança dos mercados financeiros.
Erdogan esperava chamar a atenção da taxa de inflação de dois dígitos em casa, criticando o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, acusando-o de ter "sangue palestino nas mãos" depois que 60 palestinos morreram na revolta na fronteira entre Gaza e Israel. Este estratagema pode funcionar a curto prazo, mas não por muito tempo. A lira continuará a cair e a economia turca vai para as cucuias, por razões que nada têm a ver com Israel e os palestinos. Este é o resultado direto da força crescente da economia dos EUA, que tem o efeito oposto na economia próspera de Israel.
As relações turco-americanas nunca foram tão ruins. A única parte da administração Trump disposta a manter um mínimo de cooperação com Ancara é o Pentágono. O secretário de Defesa, Jim Mattis, afirma que isso é essencial em vista do uso das bases aéreas turcas pelos EUA para atacar o Estado Islâmico na Síria no Iraque. Mas o terreno comum entre Washington e Ancara está encolhendo por quatro razões, embora ambos os governos estejam ansiosos para encobrir esse declínio.

  1. Erdogan até hoje acusa a inteligência dos EUA de apoiar a tentativa de golpe militar para sua demissão em julho de 2016. Ele nunca se cansa de exigir a extradição do clérigo turco Fethullah Gülen, que ele considera responsável por orquestrar o golpe de seu exílio americano.
  2. O presidente turco está se aproximando do russo Vladimir Putin e se tornou o primeiro membro da OTAN a comprar armas russas.
  3. O exército turco invadiu a província de Afrin, no norte da Síria, para expulsar a milícia curda YPG, um forte aliado dos EUA, daquela parte da Síria. Por enquanto, as tropas turcas estão presas lá porque o avanço é bloqueado pelas forças dos EUA e da França.
  4. Erdogan desenvolveu laços estreitos com os aiatolás em Teerã.
  5. Portanto, Erdogan não se ajudará politicamente nem aliviará seus problemas econômicos e militares insultando rudemente Israel; ele só vai exacerbá-los. 

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